Tópico

[GER-HU] 4.1 – Conceitos

Tópico Progress:

POPULAÇÃO, URBANIZAÇÃO E PROBLEMAS AMBIENTAIS URBANOS

1) População e Urbanização:

Esta aula irá abordar os principais assuntos recorrentes em vestibulinhos de geografia humana. Portanto, estaremos falando do espaço transformado pelo homem e suas implica­ções, ou seja, o meio urbano. Vamos iniciar dando a diferença de município e cidade.

O município é a divisão do Estado. Por exemplo, o Estado de São Paulo é formado por 645 municípios. Nele encontramos a área rural e a urbana. Já a cidade, é a sede do município, ou seja, a formada apenas pela área urbana.

Agora que você já entendeu a diferença entre esses conceitos, podemos compreender a sua origem e formação. No começo das civilizações o homem passou a se organizar próximos aos rios e a viver da agricultura e criação de alguns animais. A população foi crescendo e a produção alimentícia foi aumentando à medida que as técnicas agrícolas evoluíam. Quando a comida passa a sobrar, podemos dizer que o homem já podia viver na cidade do comércio, surgindo uma nova classe social, a burguesia. Perceba que o homem só pas­sou a viver nas cidades, pois havia sobra alimentar no campo.

Verificamos então que as pessoas só mudaram para a cidade quando as técnicas agrícolas evoluíram e o camponês pode produzir o suficiente para sustentar o homem na cidade, que não trabalha diretamente na produção de alimentos. De qualquer forma, a maioria das pessoas ainda viviam no campo, e com o tempo passam a migrar para as cidades que vão crescendo. Logo o crescimento das cidades torna-se maior do que o crescimento do campo. Chamamos esse processo de urba­nização que ocorreu em épocas distintas e em vários locais do mundo. Porém as consequências e os fenômenos desse processo foram semelhantes em todos os lugares.

No Brasil, a urbanização passa a se intensificar a partir da década de 1950, principalmente a partir do governo de Jus­celino Kubitschek com o seu programa de industrialização, investindo na indústria automobilística e de bens de consu­mo duráveis. Houve a abertura da economia ao capital internacional e a região Sudeste, principalmente em São Paulo e no Rio de Ja­neiro, passou a receber muitos investimentos (em infraestru­tura – rodovias, hidrelétricas). Isso passou a atrair as pessoas para as cidades. Na década seguinte, a urbanização ganha força, pois o Esta­tuto do Trabalhador Rural, de 1963, visava dar os mesmos direitos do trabalhador da cidade ao trabalhador do campo. Isso levou ao aumento do valor da mão de obra rural. Logo o latifundiário, passou a mecanizar a sua produção e o campo­nês sem emprego migra para a cidade, em busca de melhores condições de vida. Essa fuga em massa do campo é conheci­da como êxodo rural. Esses fatores colaboraram para a rápida urbanização, que trouxe várias consequências para a vida da população das grandes cidades.

A primeira delas é que o trabalhador rural, sem qualificação profissional, torna-se um desempregado ou baixa renda na cidade. Sem condições de sustentar a sua família passa a vi­ver em locais sem infraestrutura e de menor valor, as favelas. A esse processo damos o nome de favelização. Também decorrente desse mesmo processo, temos o aumen­to da criminalidade e a ocupação de áreas irregulares, como morros, encostas e margens de rios, dando origem a outros problemas urbanos, como o desmoronamento e enchentes.

Sobre as formas do crescimento das cidades, podemos dizer que no primeiro momento ele é horizontal. Em palavras bem simples, a cidade cresce para os lados. Quando isso já não é mais possível, ou quando um determinado lugar é muito procurado (centro), podemos constatar o crescimento vertical, através dos prédios. No crescimento horizontal de duas ou mais cidades, pode­mos ter um fenômeno muito comum em grandes centros urbanos, a conurbação. Isso ocorre quando uma cidade se une a outra, formando um aglomerado contínuo.

As maiores cidades podem ganhar importância nacional­mente ou internacionalmente. Para essas grandes cidades, podemos utilizar alguns termos:

⇒ metrópole: são as principais cidades de um grande aglomerado urbano. Ex.: Campinas.

megacidade: é uma cidade com uma área urbana enorme, geralmente com mais de10 milhões de habitantes. Ex.: São Paulo.

⇒ cidade global: é uma cidade muito importante para o sistema econômico global. Ex.: Nova Iorque.

 

 

2) Problemas Ambientais Urbanos:

Outro tema muito importante quando estudamos a popula­ção, são os de ordem ambiental. Diversos problemas ambien­tais estão relacionados à urbanização. Vejamos a seguir:

a) Enchentes:

Todos os rios apresentam um período de cheia e outro de vazão. O clima predominante no Brasil é o tro­pical, logo temos um período concentrado de chuvas entre o mês de Novembro e Março. O asfalto e as construções urbanas tornam o solo impermeável e assim, a água da chuva que deveria infiltrar escoa para o rio, aumento o seu volume e consequentemente a área de alagamento natural. Com isso, também temos ao longo do tempo o rebaixamento do lençol freático.

b) Retirada da vegetação:

A substituição da vegetação pela área construída, pode elevar a temperatura e reduzir a quanti­dade de chuvas, pois eliminamos a transpiração vegetal que é responsável por levar umidade para o interior do continente.

 

c) Poluição:

As atividades urbanas como a industrialização e o aumento do número de automóveis, lançam na atmosfera diariamente gases poluentes que em contato com o vapor d’água torna-se ácido. Assim temos a chuva ácida, que além de prejudicar monumentos e algumas estruturas da cida­de, pode destruir plantações quando se desloca para áreas rurais. Além disso, temos a destruição da camada de Ozônio, que impede a entrada dos raios ultravioleta do Sol.

 

d) Ilha de Calor:

Este fenômeno ocorre nos grandes cen­tros urbanos e trata da elevação da média térmica. Ocorre primeiramente, pois ao retirarmos a mata original, aumen­tamos a absorção do calor atmosférico. Além disso, temos como agravantes a construções urbanas que dificultam a circulação do ar e os automóveis e indústrias que provocam o aumento da temperatura.

 

e) Inversão térmica:

Em condições normais o ar quente se eleva enquanto o ar mais frio se rebaixa. Assim podemos afirmar que as médias de temperatura são menores em ele­vadas altitudes. Isso porque a superfície ganha calor e aquece o ar que está em contato. Portanto quanto mais longe da superfície, menor a temperatura.

A inversão térmica ocorre geralmente no inverno, após o rápido resfriamento da superfície durante a noite. As tempe­raturas de locais mais elevados ficam maiores do que as da superfície. Nesses dias, temos um grande problema nas áreas urbanas devido à poluição, que tem dificuldade para se dis­sipar, ficando por mais tempo nas partes mais baixas. Logo temos o aumento dos problemas respiratórios no inverno.

 

f) Lixo:

O aumento da população e das necessidades de con­sumo fizeram com que o lixo se tornasse uma das grandes preocupações dos grandes centros urbanos. Na verdade, o destino do lixo é o mais preocupante. A forma mais comum é o lixo a céu aberto, que chamamos de lixão. Mas podemos encontrar formas mais adequadas como o aterro sanitário, que além de afastar vetores de doenças (ratos e insetos), impede a poluição do lençol freático pelo chorume.

 

g) Soterramento:

É muito comum no início do ano, pois ocorre o aumento das chuvas e consequentemente o aumen­to da infiltração da água nos solos. Em morros, a água vai infiltrando até acumular na rocha matriz. Todo o solo sobre a rocha fica sustentado sob uma superfície barrenta, que facilita o escorregamento de todo esse material. O problema é que nos grandes centros urbanos, a população mais pobre ocupa os morros e com os deslizamentos temos um grande prejuízo material e várias mortes.